Poesia de Nestor Lampros é premiada no Mapa Cultural Paulista

Por: Assessoria de Imprensa Prefeitura de Atibaia

Autorretrato aos 37 anos em sete espelhos (lado sul). Este é o título da poesia do artista de Atibaia Nestor Isejima Lampros, premiada no Mapa Cultural Paulista. Ele também recebeu menção honrosa na categoria "Artes Visuais", com três quadros da série intitulada Eu compro, eu vendo, em que faz uma crítica à "economia massacrante a que o homem está sujeito a viver".

A poesia vencedora de Nestor Lampros é bastante intimista e sintetiza seu modo de ver o mundo. "Falo de mim, das minhas visões sobre tudo o que acontece. Não é uma visão negativa, pois tenho esperança no homem. Falo sobre a globalização e a falta de sinceridade das pessoas", disse. Nestor, 37 anos (como explicitado no título da poesia), acredita que a arte é o principal instrumento contra o "condicionamento do homem". "Hoje tudo está pronto, o homem não precisa fazer nada. A arte faz pensar, agir e sair dessa inércia".

Autorretrato aos 37 anos em sete espelhos (lado sul) faz parte de uma série de outras poesias, cada uma representando um ângulo diferente, uma visão a partir de outros pontos cardeais (norte, leste e oeste). Nestor explica que a inspiração veio de uma obra de Carlos Drummond de Andrade, chamada Poesia de Sete Faces. "Usei uma estrutura parecida com a poesia de Drummond e incrementei o espelho por acreditar que é nele que o homem se revela, vê uma imagem sem retoques".

Além de Lampros, outros nove poetas foram premiados neste ano no Mapa Cultural Paulista. O artista atibaiense já tinha participado do projeto em 2004, quando chegou à fase final nas categorias "Poesia" e "Artes Plásticas".

Lampros também escreve contos e crônicas e possui trabalhos na área das pintura. Mais informações no site www.nestorlampros.com.br.  

Mapa Cultural Paulista

O Mapa Cultural Paulista é um dos mais importantes projetos culturais de São Paulo, do ponto de vista formativo, informativo e de circulação de artistas do interior do Estado de São Paulo. Criado em 1995, tem o objetivo de fomentar as produções culturais do interior, revelando valores em segmentos que não teriam acesso aos meios de comunicação e com pouca visibilidade no meio cultural.

Durante a realização do evento, são selecionados artistas de 13 regiões administrativas do Governo do Estado, incluindo litoral e Grande São Paulo, para participar de atividades culturais distribuídas em três fases. Em todas elas os artistas que se destacam apresentam seus trabalhos primeiro no município de origem, depois na região em que está inserido e, ao final, na fase estadual, na capital paulista.

As seis expressões artísticas trabalhadas neste projeto são: Teatro, Dança, Artes Visuais, Canto Coral, Literatura e Vídeo.

 

AUTO-RETRATO AOS 35 ANOS EM 7 ESPELHOS- LADO SUL 

1. Tenho quatro olhos, virtudes, duas rimas, um nariz.
Compreendi cedo o valor das cores primárias sem Rimbaud
( ele ainda está aprendendo do modo mais quente...).
Vi isso assimilando a corrida dos homens
e a pegada das mulheres que passavam;
especialmente daquelas, das nascidas virgens.
Hoje estão mais calmas, mas chovem ainda, descalças, em vitrines.

2. Aprendi a configurar máquinas e pesadelos capitalistas,
ousando nos meus cabelos apará-los antes da raiz, quando
o inverno teimaria ser mais escuro, ou frio, ou primavera.
Estou com fome, mais seguro de mim, com tudo, assim; contudo,
mas procurando no futuro os espectros do presente, meus amigos, 
meus inimigos, meus meio-inimigos, meus- um- quarto- de- amigos, etc...

3. Sinto dizer mais o "não" que um "sim", em outras palavras.
Eu preciso sentir a música sem a correção, ou coação.
De forma a me manter fiel à Liberdade aos causos
comuns às rosas dos precipícios voando nas celas dos olhos.

4. (Acendo minha luz própria para me economizar melhor...),
em torno dos sóis que dão sua força às luas de Júpiter,
para caírem em forma de estaca, no meu coração tranqüilo e terrestre...

5. Môo o trigo descansando dos meus poemas maus.
Sou por isso intrabudista e brasileirônio e nestorquista, 
por parte de pai e das ideologias esquecidas por algum judeu interior.
E gosto do dinheiro, que me olha no seu selo e marca sensual de prostituta
verde, e se vende nos mercados e os derruba.

6. Por isso estou atento e o mundo não acabou.
Embora quisesse que minha voz perdurasse na eternidade.
Acaba esta caneta, o papel, você, mas o mundo não
-é inacabavelmente cruel.

7. E por isso socorri-me do mundo para que não me formatizem,
para me deixarem aqui quieto e relutante- mas esperançoso.
Em ter uma vida construída entre tijolos de átomos leves,
em casas quânticas tecidos pelos meus dois braços de borboleta.

Sobre a loja

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